29 de março (Relato Bia Albernaz)
Estou sentada e tiro fotos do bebedouro, do outro lado do pátio. Chega F. [3o ano, turma 302]. E puxa conversa. Interessa-se pela câmera e pergunta o que estou fazendo. "Uma pesquisa sobre o recreio", respondo. "Preciso
tirar fotos. Você quer tirar?" A máquina chama atenção. Entreguei o objeto aos sujeitos da
pesquisa. Com as mãos livres, abri meu caderno e passei a anotar. A máquina ficaria nas mãos das crianças. Daqui em diante, as fotos serão das crianças, mas é muito difícil identificar a autoria. No meu relatório estão anotados os nomes e uma provável identificação da foto. Estamos no recreio.
Bebedouro: lugar de encontro e
conversas |
Vendo F., outros alunos saem correndo da sala que dá direto para o pátio de recreio e aí se instaura um pequeno
caos. Me rodeiam, também querem tirar foto. Da porta, a professora chama todo mundo de
volta. Desligo a câmera mas, num gesto realmente rápido, uma menina conseguiu ligá-la
novamente. Impressionante, ela acertou o
botão de cara, e imediatamente tirou uma foto com a máquina ainda
pendurada no meu pescoço.
F.
e outro menino ficam. Sento-me em um banco afastado da sala de aula e eles
vêm conversar. Dizem que gostam de brincar de pique e de futebol. Pergunto sobre onde jogam futebol. F. mostra as
marcas de bola na parede. Perguntei sobre a bola. Se eles levam ou é da escola.
“A gente joga com qualquer coisa. Inventa a bola até com chapinha.”, ele diz.
“Garrafinha de água mineral”, o outro completa. “Até potinhos de iogurte?”, eu
perguntei. Eles confirmam. “Cheios?” pergunto de brincadeira. Fabrício conta que uma vez acertou a porta
da sala e mostra um fio arrebentado por ele acima do banco onde estou em um
chute a gol. Perguntei se ele gostava de destruir coisas. “Eu gosto de
futebol.” Os dois me mostram uma parede cheia de marcas. “Então aí é o gol?”
Realmente o futebol atrai bastante. A corda também. Quando
as crianças tiram foto, logo vem as poses. O livro que abre como um palácio em
pop-up também atrai.
Lanço
um desafio para quem quer tirar fotos: fotografar quem não esteja percebendo,
que não seja uma foto posada.
Meninas brigam
para decidir quem vai bater a corda. Meninos zanzam pelo pátio.
Acontece um cabo de força entre as meninas.
Agora ninguém quer mais bater a corda. Só querem pular. Os meninos
pegam na corda e começam a bater forte e outros pulam. No final de uma rodada,
os que batem “amarram” os que pularam.
Toca
o sino. Final de recreio. Os pombos se divertem com o resto dos biscoitos.
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